segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Inferno astral como desculpa ou Pode ser um texto prabaixeqs

Seis cicatrizes.
Espalhadas pelo corpo.
Não, nunca estive em uma guerra.
Não trabalho no corpo de bombeiros, não sou policial, não sou da bandidagem, nem pratico esportes radicais.
Tenho seis cicatrizes espalhadas pelo corpo.
Sete, se eu considerar a tatuagem.
Com quase trinta e um anos conto essas marcas, sabendo que elas não surgiram de nenhum grande feito, se quer de um feito médio.
Se eu contar as sardas, que também são marcas, aí tenho muito mais.
Isso em um corpo que nem parece meu.
Desconfortável,
Desajustado.
Dentro de uma casca disforme, não desliza.
Mal alisa, infelizmente.
E sinaliza, ou tenta.
Através das marcas, que viram cicatrizes. Essas abusadas.
Num jogo sem graça aparecem sem convite, sem explicar, porque talvez seja óbvio.
Se é que o óbvio existe.
E ó esse não se trata de um post “peninha de mim mesma”, nem sou essa pessoa, pelo contrário, sou otimistazinha, acredito que no fim tudo vai dar certo, que o que é ruim vai passar, mesmo que não seja verdade, porque sim, sou uma grande mentirosa, aprendi no palco. No fim das contas falo pouco sobre mim e não gosto de encher o saco dos meus amigos com meus problemas, então esse é um post “tô falando a verdade hoje”, porque sim, bem às vezes isso acontece. Aí me lembro de uma fala da Desdêmona, personagem de Shakespeare, sempre me lembro dessa fala e nem sou de decorar falas que não sejam pra ser minhas, ela diz: não me sinto feliz, mas posso enganar aquela que sou, fingindo ser outra. E como faço isso com alguma frequência é claro que uma hora a coisa falha, ao menos dessa vez posso usar a desculpa do inferno astral, aí não preciso assumir que pode ser por conta de todos os meus fracassos, e dessa caricatura Flavianesca que circula por aí com pernocas cumpridas, seis cicatrizes, sete, se eu contar a tatuagem, e sardas, muitas sardas.
E não, não tenho orgulho dessa pessoa nem nunca estive em uma guerra.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Se você pudesse me ver um pouco mais de perto, sacaria que metade na verdade não passa de uma história boba, que inventei pra me convencer de que não quero, não preciso e não vou ver o que está dentro desse meu nariz bem feito, que não entende direito o que sua dona quer, mas sabe que em se tratando de mulher a pose até vale pelo que não se é.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A Eletropaulo avisou se a luz demora a voltar?

O que eu queria mesmo agora era ver um filme, desses que ficaram parados no tempo, mas tem beleza mesmo assim, ainda que remetendo ao mofo.
Invés disso escrevo sob a luz de um toco de vela, o que teria um certo charme se eu não achasse um saco falta de luz a noite.
Só que mesmo de mau humor acabo vencida pela imagem aqui da minha frente. É que a chama em movimento na verdade dança. Ela dança. 
E eu percebi que ela é má, muito má, já que esturrica o pavio que está ali só pra sustentá-la.
A abusada não cansa, não pára a tal da dança.
Entre o azul e o amarelo ilumina com ar de tristeza.
E sim, concordo, isso também tem beleza.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Não dizem que o sinal da Vivo é o melhor?


Às vezes a gente reclama né?
De coisas, dos outros, de tudo quase.
Mas tem gente por aí, que quando para e pensa, percebe que é feliz.
Porque sonha, porque deseja, porque realiza, porque conhece e vive com gente, gente que é de verdade. Porque tem com quem se importar, com quem contar, subtrair, dividir...
Aí entra a tal da sorte, porque logo eu sou uma dessas pessoas.
Eu já disse mais de uma vez que não tenho “um milhão de amigos pra bem mais forte poder cantar”, esse aí é o Robertão, os meus são do tipo “poucos e bons”.
Infinitamente bons.
Necessariamente bons.
Encantadoramente bons.
E por falar em encanto, têm uma mulher que é única, que há alguns anos entrou bem no meio da minha vida, e desde então faz parte dela.
Como parceira, como companheira de trabalho, como ouvido atento e boca que fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala...
Com ela se aprende, se diverte, se cria, e como se não bastasse ela ainda é bonita, tão bonita, de um jeito só dela.
Ela traz e transpira inspiração.
É poema.
Canção...
Amiga, irmã, parabéns.
E caso não tenha ficado claro te amo viu Thânia Rocha e vê se atende essa porra desse celular.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Contextualizando

Escrevi semana passada o texto Por causa do Arthur Bispo do Rosario
Aí pra contextualizar segue uma biografia poética do artista.
É bem provável que ninguém entenda nada, o que é melhor, porque aí talvez alguém possa procurar saber sobre, o que é altamente recomendado.

Quando a transparência faz brilhar
Bispo do Rosário, um homem cheio de cores que queria ficar transparente para subir ao céu.
Céu que é azul como a cor do uniforme que usou por tantos anos no manicômio.
Manicômio onde produzia obras desconstruindo uniformes.
Mesmo sem querer ser artista reconstruiu o mundo em miniaturas.
Como curador de sua obra foi pai dos seus trabalhos aconselhando e protegendo.
Um cavalheiro, que acreditava ser divino.
Sem preocupações com questões materiais, mas com o julgamento final. Quando poderia finalmente conhecer o mundo que criou.
Do passado mantinha a força que o boxe trouxe, fosse para jejuar, ou para temer a própria força.
Na sua esquizofrenia mantinha o corpo limpo, brilhava!
Não se considerava louco, se comparava ao beija flor que nunca pousava, ficava sempre a dois metros do chão.
Só era gente quando produzia, só assim se sentia transparente.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Três-inhos

A angustia é porque quero fazer arte
Que é outra coisa, outra

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Ôu! O saco de lixo precisa ser grande, e resistente,
pra caber toda zona de conforto. Essa vadia.

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Ai acho que o martelo que pode quebrar o óbvio não se compra.
Infelizmente.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Por causa do Arthur Bispo do Rosário

Meu manto é a descoberta.
Sagrado pra mim é a curiosidade, a mentira, ou melhor, o que está por trás da verdade, em baixo do manto, junto da loucura.
Como Pandora que não pôde resistir a caixa vou tateando pelo que não conheço.
Descobrir.
Como quem ora no altar.
Como quem rima na poesia.
Como quem não conhece, e não conhece mesmo, outro meio para se sentir vivo.
Descoberta.
Lugar onde gosto de ir, porque mora com o encanto, usa um perfume inebriante e acompanhada da metáfora diz, fingindo não dizer.
E mostra, o tempo todo mostra, porque é uma janela aberta.
A tal descoberta.

Manto da anunciação - Authur Bispo do Rosário

 
Era pra ser Ursula. Design by Exotic Mommie. Illustraion By DaPino