Saudade é coisa que vem em onda
Dá aquele caldo, de tontiar, tirar o rumo, a respiração
Não mata, como parece
Só machuca
Entristece
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Por favor não vendam GPS pra tristeza
A tristeza ficou ali morando no meu peito.
Um bom tempo, confundindo quem eu sou.
Nunca convidei ou desejei essa companhia diária.
E noturna. Vê só que absurdo!
A folgada se quer pagava aluguel.
Abusava.
Esbanjava.
Mas já dizia a minha mãe na sua sabedoria "Marinalvística": tudo que é demais enjoa.
E não é que é mesmo?!
Aí um dia, do nada, bem do nada como algumas coisas são, virei craque.
Logo eu que nunca tive dotes esportivos, virei craque, repito.
Dei um bico na vadia.
Não goleei nada.
Mas ok.
A ideia não era empatar, ganhar...
Só mandar pra longe.
O que não é pouco.
Espero que ela tenha se perdido no ar.
Feito cheiro, bom ou ruim.
Porque até onde eu sei tristeza não tem GPS.
E vamos combinar, eu sei que moro longe.
O que me resta é ficar na torcida pra que a dita não tenha Facebook.
Não saiba meu nome artístico.
Que vá se aboletar com outro.
Alguém que faça melhor uso dos seus serviços.
Sei lá, um poeta, compositor, porque com certo talento tristeza vira beleza.
No papel, na música, no quadro...
Definitivamente dona chata, não é o meu caso.
Um bom tempo, confundindo quem eu sou.
Nunca convidei ou desejei essa companhia diária.
E noturna. Vê só que absurdo!
A folgada se quer pagava aluguel.
Abusava.
Esbanjava.
Mas já dizia a minha mãe na sua sabedoria "Marinalvística": tudo que é demais enjoa.
E não é que é mesmo?!
Aí um dia, do nada, bem do nada como algumas coisas são, virei craque.
Logo eu que nunca tive dotes esportivos, virei craque, repito.
Dei um bico na vadia.
Não goleei nada.
Mas ok.
A ideia não era empatar, ganhar...
Só mandar pra longe.
O que não é pouco.
Espero que ela tenha se perdido no ar.
Feito cheiro, bom ou ruim.
Porque até onde eu sei tristeza não tem GPS.
E vamos combinar, eu sei que moro longe.
O que me resta é ficar na torcida pra que a dita não tenha Facebook.
Não saiba meu nome artístico.
Que vá se aboletar com outro.
Alguém que faça melhor uso dos seus serviços.
Sei lá, um poeta, compositor, porque com certo talento tristeza vira beleza.
No papel, na música, no quadro...
Definitivamente dona chata, não é o meu caso.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Sarau do Binho Vive! Ou não
Oi Gente!!!!
Falta pouco mais de um mês para o fim da campanha em prol do Sarau do Binho no site da Catarse, e a meta de arrecadação de recursos ainda não foi atingida. Vale lembrar que os recursos vão para o Sarau do Binho e também para outros projetos que o Binho encabeça, são eles: Brechoteca (um brechó de livros) e Bicicloteca (uma biblioteca ambulante).
A causa é boa povo, e com R$ 10,00 cada um de nós pode ajudar tanto. É apoio e incentivo a literatura e a produção cultural na periferia.
A contribuição é feita no próprio site, é bem fácil e clicando no link abaixo vocês podem saber mais sobre o projeto.
É isso! Divulguem, participem, contribuam!!!
"Uma andorinha só não faz verão, mas ela pode acordar o bando todo" (Binho)
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Não que adiante, mas vou trocar a tal da maquiagem
Essas músicas de amor saudoso são umas delinquentes.
Ficam aí de perseguição.
Avisando que o passado ficou lá mesmo, no passado. Ou devia ter ficado.
Com sua beleza triste, entram nos ouvidos e invadem o corpo todo, espalhando a chata da saudade e uma angústia que parece não ter fim.
Angústia tonta vai tentando se libertar pelos olhos. Mas no fim das contas só consegue estragar a maquiagem. Que já não está dando conta de esconder mais nada. Quem sabe uma marca melhor, de mais qualidade... Quem sabe um blush mais eficiente, um batom mais atraente, um rímel potente, melhore a aparência e traga aqui pra essa cara alguma beleza.
Ah! E mostre pra angústia tonta que essa liberdade pelas lágrimas é temporária. Já, já, ela volta aqui pra esse corpo. Não que queira que fique claro. Mas lembra o que falei das músicas?
Ficam aí de perseguição.
Avisando que o passado ficou lá mesmo, no passado. Ou devia ter ficado.
Com sua beleza triste, entram nos ouvidos e invadem o corpo todo, espalhando a chata da saudade e uma angústia que parece não ter fim.
Angústia tonta vai tentando se libertar pelos olhos. Mas no fim das contas só consegue estragar a maquiagem. Que já não está dando conta de esconder mais nada. Quem sabe uma marca melhor, de mais qualidade... Quem sabe um blush mais eficiente, um batom mais atraente, um rímel potente, melhore a aparência e traga aqui pra essa cara alguma beleza.
Ah! E mostre pra angústia tonta que essa liberdade pelas lágrimas é temporária. Já, já, ela volta aqui pra esse corpo. Não que queira que fique claro. Mas lembra o que falei das músicas?
Essas delinquentes, perseguidoras.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Claro que osso tem gosto
Pra roer o osso tem que ter dente.
Dente, paciência, disposição...
Ainda que isso machuque o coitado do coração.
Que bate despirocado, com apetite diferente. Que na verdade é o mesmo.
O coração lembrou que o apetite é o mesmo.
Parece diferente porque o tempo faz isso com a gente. Muda as lembranças, os sabores.
Mas sempre foi esse o prato: o osso.
Que ressurgiu mais duro.
Igualmente saboroso. O osso é saboroso.
Mas está mais duro. Não sabe se quebra, se... se deixa roer.
Na verdade o osso é esperto. Duro, e esperto.
Ah! E saboroso. Que é pra machucar com gosto.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
“Talvez com a ajuda do dicionário...” Ou “Riminha boba no final”
Embora morem na língua, as papilas não podem contar, gritar, explicar, elas não podem falar, daquele gosto.
Que pra definir, talvez só sentindo com muita concentração. O que não é possível, porque ali, no meio daquela troca de fluídos ela se perde, vai pra outro lugar, vira outra coisa, vai fazer sei lá o quê.
Ela deve pensar: pra que concentração se aqui a pulsação está dando conta?
Se o pensamento está dançando e o corpo gritando naquela temperatura, ela, a concentração, acredita que está tudo certo.
E está mesmo.
Quem perde, porque ganhou, são as papilas curiosas. Metidas a intelectuais elas gostariam de definir em palavras, talvez em comparação, toda aquela sensação. Que além de tudo faz pelo menos duplicar a aceleração do desligado coração.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
É o seguinte:
Agradeço de coração pelas mensagens (em toooooodas as vias de comunicação), pelo bolo e almoço delícia da Dona Marinalva, pelo amor dos meus amigos, pelos abraços e beijos vários, ah e pela penca de presentes. São tantos presentes e, como tenho amigos bons demais, eles se encarregam de aparecer com coisas únicas, inesquecíveis. Como esse texto que replico aqui, mas está postado no Bar e lanches taboao.
David da Silva seu filho da mãe, sem palavras pra agradecer.
Cachorro! Poeta! Tenho tanto orgulho em tê-lo como amigo, em sempre receber carinho e atenção, assim de graça, é tanta generosidade da sua parte... Obrigadão!
David da Silva seu filho da mãe, sem palavras pra agradecer.
Cachorro! Poeta! Tenho tanto orgulho em tê-lo como amigo, em sempre receber carinho e atenção, assim de graça, é tanta generosidade da sua parte... Obrigadão!
QUARTA-FEIRA, 25 DE JANEIRO DE 2012
Confissão de amor pela vizinha
Para Flávia D’Álima, aniversariante
Aquela a quem eu amo me disse hoje, pela manhã,
que a data de fundação da cidade de São Paulo é
evento tão importante, que as cidades vizinhas
também deviam se curvar à aniversariante.
Irrefutável.
A região metropolitana inteira, a chamada Grande
São Paulo em peso tem obrigação de reverenciar o
município-mãe no seu dia da criação.
Taboanense da gema, tenho pela capital paulista a
mais plena veneração.
Tanto assim que exercito minha boemia pela região
mítica de “Campo Limpo-Taboão”, devidamente definida na cartografia
poética de Robinson Padial, o Binho.
A metrópole paulistana compartilha sua data querida com minha amiga
esplêndida em todos os fulgores da sua beleza física e múltiplos talentos
Flávia D’Álima.
![]() |
| Flávia D'Álima em Paixão de Cristo |
Moradores de Taboão da Serra já tiveram a
benção de ver Flávia em ação arrebatadora
na encenação da Paixão de Cristo por quase
uma década (2000 a 2006). A atividade
artística de Flávia D’Àlima é uma corrente de
acertos (aos quais ela teimosamente
embirra de dizer que contém fracassos).
Na estrada desde 1996, Flávia já encarnou
nos palcos personagens de pelo menos 18
montagens teatrais. E além de brilhar na boca
de cena, agora também irradia aptidão por trás
das cortinas, na produção.
Flávia e eu temos bocas e olhos devidamente
equipados para longas jornadas noite a dentro (axé!, Eugene O’Neill).
Hora dessas vamos peregrinar em ronda noturna por uns fecha-nunca
sempre plenos de ensinamento para quem não cansa de aprender com o
lado enviesado da vida. Flávia e eu gostamos de ver o dia lutando com
as trevas do amanhecer.
E também achamos fraquinho quando dizem que o momento fulgurante
chama-se “nascimento do sol”. Como o menino Perus (do conto abaixo)
gostamos um pouco, um pouquinho só, do nome aurora, mas quando se fala
isto baixo e sério.
Leitora voraz, sei que ela vai curtir demasiadamente bem este trecho do
conto Malagueta, Perus e Bacanaço do imortal João Antônio.
É meu presente de aniversário para a Flávia querida e para a cidade vizinha
que eu amo.
Nenhum outro escritor jamais descreveu em tempo algum um alvorecer
paulistano de forma tão densamente poética, uma aurora de dolorida doçura
vista de dentro da ótica dos botecos mal dormidos do Largo de Pinheiros.
“Luzes se apagaram nas ruas. Uma palpitação diferente,
um movimento que acorda ia-se arrumando em Pinheiros.
Primeiros pardais passavam. Perus acompanhava os dois,
mas olhava o céu como um menino num quieto demorado e
com aquela coisa esquisita arranhando o peito. E que o menino
Perus não dizia a ninguém.
Contava muitas coisas a outros vagabundos. Até a intimidade
de outras coisas suas. Mas aquela não contava. Aquele sentir,
àquela hora, dia querendo nascer, era de um esquisito que arrepiava.
E até julgava pela força estranha, que aquele sentimento não
era coisa máscula, de homem.
Perus olhava. Agora a lua, só meia-lua e muito branca, bem
no meio do céu.
Marchava para o seu fim. Mas à direita, aparecia um toque
sanguíneo. Era de um rosado impreciso, embaçado, inquieto,
que entre duas cores se enlaçava e dolorosamente se mexia,
se misturava entre o cinza e o branco do céu, buscava um tom
definido, revolvia aqueles lados, pesadamente. Parecia
um movimento doloroso, coisa querendo arrebentar, livre,
forte, gritando de cor naquele céu.”
(João Antônio – Malagueta, Perus e Bacanaço – 1963)
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